Enio Verri destaca que privatização da Eletrobras deixará energia 20% mais cara

A privatização da Eletrobras não consegue apoio nem do setor produtivo do país. A Medida Provisória 1.031/2021 que viabiliza a desestatização da Eletrobras entrou na pauta de votações do Plenário da Câmara dos Deputados. A Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE) já calculou prejuízos de R$ 24 bilhões por ano nas contas de energia elétrica. Além disso, o deputado federal Enio Verri alertou que o valor da conta de luz para o consumidor deve subir até 20%.

“Privatizar a Eletrobras nesse momento não tem o menor sentido. Nem o consumidor, nem a indústria são favoráveis a venda da Eletrobras. A última pesquisa do Datafolha identificou que 70% da população são contrários à privatização. O novo texto do parecer da medida vai elevar os custos da energia para todos. E a população vai arcar com os prejuízos, como sempre”, afirmou o deputado paranaense.

Hoje, a Eletrobras está vinculada ao Ministério de Minas e Energia e responde por 30% da energia gerada no País. É uma sociedade de economia mista e de capital aberto sob controle acionário do Governo Federal brasileiro e atua em geração e transmissão. Foi criada em 1962 para coordenar todas as empresas do setor elétrico.

Atualmente, controla as subsidiárias Eletrobras Amazonas GT, Eletrobras CGTEletrosul, Eletrobras Chesf, Eletrobras Eletronorte, Eletrobras Eletronuclear, Eletrobras Furnas, Itaipu Binacional e Eletrobras Cepel.

De acordo com deputado Enio Verri, o governo tenta passar por cima do debate sobre o tema para privatizar a estatal de forma mais rápida. “Estão querendo entregar nossa soberania energética. Nenhum país faz isso. Além de tudo, a base governista tenta acelerar o processo de privatização. Não seguiu ordem cronológica da MP’s que aguardam votação no Congresso e nem foi criada a Comissão Mista para analisar o conteúdo da proposta. Não há razão para esse atropelo nessa venda. Votaremos contra, para que o setor elétrico nacional não perca a Eletrobrás, para não correr riscos de apagões e evitar custos maiores para nossa indústria e para o cidadão comum”, afirmou.

Fora a competência e excelência técnica, a Eletrobras é pioneira na inovação de fundamentos para assegurar o crescimento sustentável do país com energia limpa e renovável. A empresa também é responsável por importantes obras nos setores de geração e transmissão de energia, principalmente com as usinas hidrelétricas e linhas de transmissão.

O relatório do deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) não foi bem recebido nem pelo Fórum de Associações do Setor Elétrico. O Fórum rejeita a proposta e pediu que a Câmara reavaliasse o relatório da MP 1.031.

Outra polêmica da proposta é o fim do sistema de cotas. O sistema foi criado em 2013 a fim de reduzir a tarifa de energia. Com o fim do regime de cotas, os novos contratos terão liberdade para vender energia pelo valor de mercado. Dispositivo que vai gerar o aumento na tarifa.

“Que hoje fique registrado qual deputado ou deputada que defendeu o interesse da população e aqueles que preferiram votar pela entrega do setor elétrico brasileiro. Ano que vem essa posição será avaliada por cada eleitor nas urnas”, ressaltou Verri.

Poder de investimento

A Eletrobras é uma gigante do setor elétrico. É uma estatal lucrativa que registrou mais de R$ 30 bilhões de reais de superávit nos últimos 3 anos. Tem capacidade de fazer investimentos na expansão do sistema elétrico acompanhando as demandas dos brasileiros.

Além disso, a empresa é quem leva energia para as regiões mais remotas do Brasil, e foi responsável pelo Luz pra Todos. Com seu baixo endividamento, está pronta para investir em grandes obras e gerar empregos.